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segunda-feira, 1 de abril de 2019

Espaço Cultural Dr. Liberato recebe a exposição Travessia

O Espaço Cultural Dr. Liberato promove,até 22 de abril, a exposição Travessia. A mostra do artista Juarez Sander, com a participação do artista convidado Ives Vergara, reúne obras que mostram as verdades misturadas ao imaginário, cenas possíveis e prováveis de uma época revolucionária. As obras carregam o passado, retratam o presente e projetam o futuro da humanidade em poucas gerações. A intenção é chamar o apreciador para uma reflexão sobre a humanidade e como a tecnologia vem fazendo parte do cotidiano humano, e quais os limites da interação tecnológica na sociedade. A partir da construção, organização e aplicação do conhecimento pela humanidade, a vida cotidiana vem sofrendo mudanças substanciais.
A rotina sossegada do campo logo foi substituída pela agitação das grandes metrópoles, o tempo foi ficando escasso e nos emaranhamos em tramas intermináveis de um universo de informações e compromissos. E o sossego e a paz foram dando lugar para o stress trazido pelas telas, as interações virtuais, a vida tecnológica substituindo a vida orgânica massacrando-a.  A produção industrial em escala, a valorização inconsequente do que é novo, uma sociedade que consome sem perceber o impacto do seu consumo e um sistema opressor e excludente que fortalece a desigualdade ao redor do mundo.
O futuro está traçado nas tendências e comportamentos do presente, todos podem ver o futuro, e ele é nebuloso, se os padrões se mantiverem. Os valores se modificaram, a globalização trouxe um emaranhado de mudanças no cotidiano, a busca pelo acumulo de bens se tornou o jogo da vida, e o ser ficou de lado. Lixo, poluição, riqueza, desigualdade, e todas as patologias sociais encadeadas pela valorização do TER frente ao SER. E assim nossas posses materiais nos afastaram de nós mesmos, e nos afastaram um do outro, ao passo que a ciência vai descobrindo novas maneiras para prolongar a nossa existência neste jogo de acúmulo e posses. E então aumentamos nossa expectativa de vida, sem saber que nem estamos vivendo, estamos só trabalhando, como máquinas. Pra que viver mais assim, qual a diferença?
E entre cartelas de Rivotril, maços de cigarro e martelinhos de cachaça, vamos entorpecendo nossas frustrações até sermos tomados pela realidade, pela concepção de uma nova vida, pela vida como ela deve ser, e o SER retorna das profundezas do materialismo, enquanto nossas definições de vida são atualizadas, e quem sabe finalmente acordemos para um verdadeiro estado de plenitude.  Por enquanto, admiramos passivamente a transformação da realidade em nosso ambiente e em nossa mente, mas, só por enquanto!
A mostra ocorre na Galeria Municipal de Arte de Campo Bom, no Espaço Cultural Dr. Liberato. A visitação é de segunda-feira à sexta-feira das 8 horas às 17h30 e sábado das 9 às 12h30.

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