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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Ano começa mal para os exportadores de calçados


Contrariando as expectativas iniciais de um reaquecimento nas exportações, os calçadistas brasileiros amargaram um início de ano com queda nos embarques. Conforme dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e elaborados pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), em janeiro foram embarcados 12,5 milhões de pares por um valor de US$ 92,95 milhões, quedas de 2,3% em pares e de 6,2% em faturamento com relação ao primeiro mês do ano passado, quando os números foram de 12,8 milhões e US$ 99,1 milhões, respectivamente.

O resultado aliado a um incremento nas importações de calçados fez com que a balança comercial do setor caísse 38,7% - em dólares - no comparativo com igual período de 2013. Em janeiro entraram no Brasil 4,4 milhões de pares pelos quais foram pagos US$ 64,2 milhões, um aumento de 23% em dólares e 34,2% em pares com relação ao ano passado (3,27 milhões e US$ 52,2 milhões).

Para o presidente-executivo da Abicalçados, Heitor Klein, o resultado aponta para a deterioração da competitividade do calçado brasileiro. Fatores como a alta carga tributária combinada com o fim do Reintegra – programa que devolvia 3% da receita total com exportações para os empresários –, legislação trabalhista arcaica e uma logística cara e ineficiente são os vilões que tornam o “Custo Brasil” cada vez mais elevado. O executivo ressalta que existe uma tendência verificada desde 2008 que aponta para uma queda brusca na balança comercial do setor. “Naquele ano tivemos um saldo positivo de US$ 1,6 bilhão, que caiu a US$ 522 milhões no ano passado. Seguindo a tendência podemos chegar a saldo zero nos próximos anos”, alerta. Para o executivo é preciso que o Governo Federal continue no propósito de desoneração do segmento. “O fim do Reintegra, que auxiliava muito a competitividade dos exportadores, foi um revés significativo e que pode apontar para um abrandamento das políticas de desoneração”, lamenta Klein.

Exportadores
Mesmo com queda nas receitas geradas pelas exportações, o Rio Grande do Sul segue no topo do ranking dos estados exportadores. No primeiro mês do ano os gaúchos embarcaram 1,55 milhão de pares pelos quais receberam US$ 35,2 milhões, quedas de 1% em pares e 5,3% em faturamento com relação a igual período de 2013 (1,56 milhão e US$ 37,2 milhões).

O segundo exportador foi o Ceará, que embarcou 6,87 milhões de pares a um valor de US$ 32,8 milhões, aumento de 2% em pares e queda de 4% em receita no comparativo com janeiro do ano passado (6,74 milhões e US$ 34,22 milhões).

No terceiro posto aparece São Paulo. Em janeiro os paulistas exportaram 1,2 milhão de pares por US$ 10,7 milhões, incrementos significativos de 207% em pares e 30% em faturamento com relação a 2013 (398,5 mil e US$ 8,26 milhões).

Destinos
Os principais destinos das exportações brasileiras no primeiro mês do ano foram os Estados Unidos (US$ 14,8 milhões, queda de 7% com relação a igual período de 2013), França (US$ 8,2 milhões, queda de 5%) e Rússia (US$ 8 milhões, queda de 28%). Pela primeira vez em anos de exportações, a Argentina não figura no ranking dos principais destinos. Abalada por uma crise econômica intensa e tentativas desastrosas de protecionismo, a Argentina comprou somente cerca de 226 mil pares pelos quais foram pagos US$ 3,4 milhões, uma queda de quase 30% com relação a janeiro do ano passado.

E pode ficar pior...
Se por um lado a queda nas exportações preocupa, o aumento vertiginoso das importações de calçados, especialmente da Ásia, aumenta a dor de cabeça dos calçadistas. Segundo Klein, o aumento de 23% no valor pago pelas importações de janeiro foi puxado pelos esportivos. “Aproveitando a oportunidade da Copa, que deveria ser um estímulo aos produtores nacionais, os importadores de calçados esportivos aumentaram 74,4% suas vendas com relação ao mesmo período do ano passado. A questão confirma o nosso prognóstico de que sem o acionamento dos mecanismos de defesa comercial o ano seria muito complicado, mesmo com o dólar em patamares mais elevados. O importador asiático, com um custo de produção extremamente baixo e subsidiado, além de contar com mão de obra abundante e barata, absorveu com certa facilidade a questão cambial”, explica o executivo, para quem a situação de deterioração da balança comercial do segmento pode piorar em 2014.

Conforme dados elaborados pela Abicalçados, no primeiro mês as importações de calçados esportivos foi de US$ 32,3 milhões, quase o dobro do mesmo mês do ano passado (US$ 18,5 milhões). Segundo Klein, grande parte destes calçados são provenientes de processos de elisão fiscal, práticas que visam burlar a aplicação da tarifa antidumping contra o produto chinês. “Desde 2010, quando adotado o direito de antidumping contra a China, as importações de produtos de países vizinhos e sem tradição na indústria calçadista, têm aumentado vertiginosamente. É um processo claro de circunvenção e triangulação das importações”, destaca.

Asiáticos vendem mais para o Brasil
A onda de produtos asiáticos nas prateleiras do varejo brasileiros parece estar longe do fim. No primeiro mês do ano as importações procedentes do Vietnã aumentaram 36,3% (de US$ 29,6 milhões para US$ 40,4 milhões), da Indonésia 30% (de US$ 9,8 milhões para US$ 12,74 milhões) e da China 55,4% (de US$ 3,74 milhões para US$ 5,8 milhões).

Já em partes de calçados as importações tiveram uma queda de 35,6% (de US$ 10,23 milhões para US$ 6,6 milhões). Os principais vendedores de componentes no primeiro mês de 2014 foram a China, Paraguai e Vietnã.

Fonte: Site da Abicalçados

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